a-teilhard-aq
segunda-feira, 7 de Novembro de 2005
BOM DIA, TEILHARD!
Reunindo os files do meu computador (+- 30) com a palavra Teilhard de Chardin, verifico que abrangem textos ligados à lógica ortomolecular(-OM) e, portanto, à minha tese póstuma(-AT): onde tentei entrar no universo macrocósmico de que o Teilhard, antes de Etienne Guillé, me dera o primeiro lamiré. Na altura e com o natural pessimismo desses meus verdes anos, achava um bocado «especulativa» essa abstracção: hoje, à luz da lógica ortomolecular (-OM) e da hipótese vibratória (-hv), considero-o o próprio coração do real.
É uma reviravolta de 180 graus, pelo menos!
Ainda estou hesitante em utilizar, para publicação, o merge clássico do word (*.doc) , pasta zipada (*.zip), o link do word (*.doc), ou este arquivador que estou a utilizar (*.obd).
Em qualquer caso, terei sempre que fundar numa só pasta (num só file) o quantitavo de files em apreço.
O arquivador, ao que penso, permite uma consulta mais «calma» (e selectiva) de quem pesquisa.
Faço aqui a listagem dos nomes de files inseridos nesta colectânea ou grande conjunto(-GC).
1959-77
71-07-13-ls=leituras selectas
<adec
<apdn-6
<atados
<bioinf-1
<acf-3
<carlos-5
<cdb-6
<cdbb-6
<cdi-2
<da-17
<dezemb2
<episte16
<episte-5
<int
<intt
<intui-1
<intui-3
<lexluz
<lista 11
<mago
<maximass
<memorias
<novop-2
<pilares6
<retro-1
<stone-3
<surreal>
Ainda não é hoje que me resolvo a publicar a lista de livros de Chardin que guardo, religiosamente, na minha Biblioteca do Gato (-BG).
Um dia será.
sábado, 22 de Outubro de 2005
Uma breve remissa, hoje, para o muito que escrevi sobre Louis Pauwels e o movimento «Planète», ao longo dos anos, desde que, em 1960, li por inteiro, durante uma noite, as 500 páginas do livro «Le Matin des Magiciens - Introduction au réalisme fantastique», edição da Gallimard.
Fiquei fã, imediatamente, dos seus dois autores - Louis Pauwels e Jacques Bergier - e de tudo o que era a espantosa revelação desse movimento chamado «realismo fantástico».
A seguir, os links que podem ser úteis a quem se interessar por esta matéria para mim inesgotável:
1. gato das letras-site big bang
quinta-feira, 22 de Setembro de 2005
OBRIGADO A MAX OPHULS:
O MEU REENCONTRO COM STEFAN ZWEIG
Era previsível que o Yahoo de língua brasileira desse grande relevo a Stefan Zweig, que ao Brasil dedicou anos da sua vida e um livro «Brasil, País de Futuro».
Judeu e austríaco são outros dois motivos para que, no Ocidente, ele não seja esquecido como escritor.
Eu tenho hoje um pequeno pretexto para incluir o seu nome nesta galeria de autores e livros queridos da minha vida.
Não foram as grandes biografias históricas que nele me interessaram mas a trilogia de biografias sobre intelectuais e filósofos.
Dele guardo os livros para mim mais sublinhados, na simpática edição da editora Civilização, do Porto.
Mas também os títulos menos referidos, entre eles a «Carta de Uma Desconhecida», adaptado ao cinema por Max Ophuls.
O pretexto próximo de que falo foi ontem, no canal Gallery da TV Cabo, o soberbo filme de Max Ophuls, sublime preto e branco com a sublime Joan Fontaine. Apesar de passar às 11 horas da noite, consegui vê-lo de fio a pavio, o que significa para o meu cansaço de filmes e televisão alguma coisa.
Títulos ainda na Biblioteca do Gato:
Stefan Zweig – Os Construtores do Mundo - A Cura pelo Espírito – Introdução Geral - Mesmer – Mary Baker-Eddy – Freud – Trad. de Alice Ogando - Livraria Civilização, Porto, 1949
Stefan Zweig – Os Construtores do Mundo – Três Mestres – Balzac – Dickens – Dostoiewski – Trad. de Alice Ogando – Livraria Civilização, Porto, 1955
Stefan Zweig – Confusão de Sentimentos – romance – Trad. de Alice Ogando – Livraria Civilização, Porto, 1957
Meus Files de textos relacionados com Stefan Zweig:
zweig
viena
ariadne
Indico dois sites dos muitos que há na Net:
http://www.estrategiainvestimentos.com.br/projetos_audio/lost_zweig.doc
http://www.editoras.com/record/055483.htm
REENCONTRO COM ZWEIG
Paris continua a dar ordens sobre o que se deve e pode ler, os autores autorizados e os banidos. Cá e lá nunca nos faltaram os polícias sinaleiros que nos regulam o trânsito literário. Desta vez, assistimos à ressurreição de Stefan Zweig, atirado há anos para os autores de 2ª e 3ª linha. Agora, até as editoras portuguesas, na linha das brasileiras que se mantiveram mais fiéis, se atiram a Zweig como gato a bofe. O artigo de João Céu e Silva, in «Diário de Notícias», dá conta dessa súbita viragem.
Há dias, coloquei neste blog um posted sobre Zweig mas volto hoje para fazer o link ao mencionado artigo.
E que seja tudo por amor aos livros. Amar mais animais e livros, é o slogan que hoje proponho, contente pelas notícias que vão aparecendo.
««TRILOGIA EM TORNO DE STEFAN ZWEIG
"O MUNDO DE ONTEM" DO ESCRITOR AUSTRÍACO PODE SER MOTIVO PARA REGRESSAR À SUA OBRA
in «diário de notícias», 2 de Outubro de 2005
por João Céu e Silva
««Não é de estranhar que na livraria parisiense L'Écume des Jours, a paredes meias com o café Deux Magôts, se encontre o pequeno volume de bolso intitulado Voyages entre algumas dezenas de livros da prateleira que acolhe quase toda a obra do escritor Stefan Zweig.
«Também não é de estranhar que no Brasil o crítico Alberto Dines aprofunde, reuna e publique num grosso volume os seus dois trabalhos, a que deu o nome final de Morte no Paraíso, sobre a vida daquele mesmo escritor pois foi naquele país que ele e a mulher ingeriram veneno e puseram fim à vida.
«Por isso, também, não é de estranhar que no mercado português haja uma editora, a Assírio & Alvim, que pegue numa das suas obras e a edite em tempo mais que oportuno. Trata-se de O Mundo de Ontem, onde o autor austríaco nos conta ao longo de 495 páginas alguns dos momentos mais críticos de uma época da história da Europa que ainda está fresca na memória de muitos dos seus habitantes.
«Diga-se que Stefan Zweig não é actualmente um escritor de referência para os leitores nacionais, como também não o é para os nossos pares europeus, esquecido e datado pelo modo de escrita e alguma leveza novelística com que a maior parte das suas obras se caracterizavam. No entanto, se o desejarmos recordar e, por essa mesma razão, pegarmos no livro 24 Horas na Vida de uma Mulher e o lermos de um só fôlego vemos que não saímos cansados dessa tarefa de o recordar. Pelo contrário, confirmamos que a sua capacidade de prender o leitor não está assim tão ultrapassada e que, apesar de ser uma intriga gasta pelo passar do tempo, uma trama desfocada dos dias que correm, iremos ver que a arte de entreter as palavras está de braço dado com uma perfeita técnica e um timing que não cansa o leitor actual.
«Outro exemplo deste escavar no passado pode acontecer ainda com o seu texto de análise política e (até) antropológica Brasil, um País do Futuro, que é um outro bom exemplo de como um livro pode servir de parâmetro para avaliar as mudanças verificadas na política, na economia, na sociedade e na cultura de uma nação que tão bem conhecemos com o cotejar possível após a passagem de várias décadas da sua publicação.
«No caso de o leitor não ter paciência para se deliciar de uma vez só com estes três volumes atrás referenciados, é O Mundo de Ontem que deve preocupá-lo. Designadamente porque o seu subtítulo "Recordações de um Europeu" assim o justifica tal é a actualidade dos temas que trata.
«Logo no prefácio, Stefan Zweig declara que "nunca atribuí tanta importância à minha pessoa que me sentisse inclinado a contar aos outros a história da minha vida" mas como a "época fornece as imagens" o autor avança no relato passível de ser executado por uma "testemunha indefesa, impotente, do inimaginável retrocesso da humanidade a uma barbárie que há muito se pensava esquecida".
«O que leva Zweig a descrever em quase cinco centenas de páginas os tempos que antecedem ao deflagrar da I e da II guerras mundiais é a mesma razão que o empurrará para o suicídio. É-lhe impossível ver a orientação do caminho trilhado pela Alemanha, que irá desembocar no segundo grande conflito bélico do século passado, sem tremer pelos seus resultados. Zweig escreve que "três vezes me despedaçaram a casa e existência, separando-me de todo o antes, de todo o passado e, com a sua veemência dramática, lançaram-me no vazio". deste modo, irá o escritor fazer parte dos milhares que abandonam a paz adquirida nos tempos que se seguiram à I Guerra Mundial - é brilhante a descrição das novidades tecnológicas que surgiam no pós-guerra, no à vontade com que se viajava no Continente e se faziam amizades - e que com a chegada da II Guerra Mundial foram obrigados a partir em direcção a outros destinos. É o retrato muito realista - e intelectual valioso - de um cenário que vai entre o princípio do século XX e a sua quarta década que domina o leitor destas páginas, onde existe a possibilidade de sentir a génese da actualidade e a percepção dos sinais que apontavam para a característica dos tempos futuros.
«A biografia de Alberto Dines vem neste sentido e pode-se dizer que é o outro lado do espelho que nos permite compreender o que torna o desfecho da sua vida tão trágico. Zweig não é um escritor acabado quando assenta arraiais no Brasil, não fica isolado dos centros da cultura ou preso à suburbanidade dos trópicos, pelo contrário consegue manter acesa a chama da escrita até ao inesperado momento em que cede, a desoras porque o fim de Hitler estava a desenhar-se com contornos cada vez mais claros.
«Talvez o pequeno volume das suas Voyages possa dar uma outra resposta à irracionalidade desse suicídio pois os seus dezassete capítulos exibem, de uma forma evidente, o prazer de reconhecer o novo mundo em que Zweig tão bem se inseria. Há uma frase que o demonstra a viagem "é, com efeito, a única forma de descobrir não somente o mundo exterior mas também o nosso universo interior". »»
terça-feira, 20 de Setembro de 2005
UMA VIDA IMPIEDOSA:
O DESTINO DE ALBERTINE SARRAZIN
Pelo que pude (não) ver na pesquisa do yahoo sobre Albertine Sarrazin, o destino dela continua igual ao que foi em vida: amarguradamente abandonada e esquecida. Graças à Feira de Velharias, em Paço de Arcos, fui descobrir o livro que na altura tanto me emocionou e de que perdera o rastro. «L’Astragale», que a Europa-América publicou, Janeiro de 1969, em tradução de Pedro Bom, com o título « Sem Piedade».
É um título que define bem a «impiedosa» vida de Albertine e aquilo a que hoje eu chamaria os seus nigredos que tanto me identificaram com ela quando a li e com ela compartilhei um destino no mínimo difícil para não dizer dramático e trágico.
Alinhei o seu nome entre os livros que, de há uns anos a
esta parte, classifico de «viagens iniciáticas»: antes mesmo, sublinho, de ter encontrado Etienne Guillé e seu método de iniciação.
Pouco se encontra na net sobre Albertine mas aqui deixo um site como homenagem a um destino solitário e enigmático como o seu:
http://www.planirom.qc.ca/acatalog/Secondemain_Sarrazin__Albertine_189.html
terça-feira, 20 de Setembro de 2005
GILBERT CESBRON:
NEM POBRE, NEM PADRE, NEM OPERÁRIO
Falecido em Agosto de 1979, Gilbert Cesbron escreveu muito mas eu retenho dele, apenas, o que a editora Tavares Martins, do Porto, publicou em 1954, em tradução de C.C. e que tive a sorte de reencontrar hoje na Feira de Velharias de Paço de Arcos: «Os Santos Vão para o Inferno» fala dos padres-operários, tema que, na altura (anos 50), estava mais em voga do que hoje. E talvez Cesbron tivesse contribuído para essa voga.
É um romance quase reportagem cheio de subtilezas e particularmente fascinante na descrição rápida das pequenas grandes coisas, mesmo do latente conflito que opunha, então, num bairro pobre de Paris, comunistas e padres operários. Cesbron não o oculta e com a sua capacidade de síntese diz isso no prefácio da edição portuguesa que guardo na minha biblioteca do gato:
«Aos meus amigos de Sagny, ofereço esta história que não tinha o direito de escrever, porque nunca fui pobre, nem padre, nem operário.».
+
GILBERT CESBRON
«Nasceu em Paris a 13 de Janeiro de 1913.
Frequentou o Liceu Condorcet, depois a Escola das Ciências Políticas na mesma cidade. Na guerra de 1939 foi mobilizado como oficial de artilharia.
Tem já uma longa carreira literária: LES INNOCENTS DE PARIS, obra que obtém em 1944 um grande prémio e está traduzida em nove línguas; em 1946, ON CROIT REVER; em 1947, LA TRADITION FONTQUERNIE que recebe no mesmo ano o «Prémio dos Leitores»; em 1948, NOTRE PRISON EST UN ROYAUME que é galardoada com o «Prémio Sainte Beuve».
Na mesma altura, representa-se em Paris a sua primeira peça de teatro BRISER LA STATUE. Em 1950, uma segunda peça de grande êxito IL EST MINUIT, DOCTEUR SCHWEITZER da qual extraíram um filme. Também em 1950 publica o romance LA SOUVERAINE e em 1951 o livro de contos TRADUIT DU VENT. O romance LES SAINTS VONT EN ENFER, publicado em 1952, tornou o seu nome conhecido em todo o Mundo.
O ano de 1953 vê aparecer um novo livro deste notável escritor. Gilbert Cesbron é casado e pai de quatro filhos.»
domingo, 14 de Agosto de 2005
A ALMA DO TIBETE
«Choro sempre que posso.»
Richard Gere
Agradeço ao Canal História (Biography Channel) mais um reencontro feliz com o meu sublime companheiro de jornada, o 14º Dalai Lama.
Vi três vezes o documentário da CBS News, produzido por Patti Hassler e lamento não o ter em vídeo para o reler (rever) de vez em quando.
Se de videoteca do gato falamos, tenho de contar com os dois filmes de Hollywood citados no documentário «A Alma do Tibete» e que são:
«Kundun», de Martin Scorcese
Sete Anos no Tibete, com o actor Brad Pitt e de que não me lembro aqui o realizador.
Outras pistas de viagem confirmadas na belíssima biografia da CBS: Richard Gere, o actor que é amigo pessoal do Dalai Lama;
Gandhi, uma das figuras adoradas pelo Dalai Lama;
Indira Gandhi e Pandit Nehru que, apesar de tudo, o acolheram na Índia e aos 100 mil refugiados.
***
Pela síntese que consegue e a grafia correcta de algumas palavras em tibetano(?), o texto da jornalista Sónia Correia dos Santos, no «Diário de Notícias» de 12 de Agosto de 2005, merece todo o destaque.
Até porque foi por ele que eu soube do documentário no Biography Chanel. Agradeço à Sónia e dedico-lhe esta página do meu blog.
««Dalai Lama Tenzin Gyatso nasceu em 1935, oriundo de uma família de camponeses, numa pequena aldeia situada no Nordeste tibetano.
Com apenas dois anos foi reconhecido como a reencarnação do seu predecessor. Os dalai-lamas são manifestações vivas do Buda da Compaixão, que tomou a decisão de renascer para servir, uma vez mais, a humanidade.
Dalai significa Oceano em mongol e Lama é Tibetano para alta reencarnação, e várias vezes referido por "Oceano de Sabedoria", um título dado pelo regime mongol à Altan Khan (o terceiro Dalai-Lama) e agora aplicado a cada encarnação.
Os dalai-lamas são mostrados como sendo a manifestação de Avalokiteshvara, o Bodhisattva da Compaixão, cujo o nome é Chenre-zig em tibetano. Bodhisattvas são seres de uma sabedoria elevada que se propuseram atingir o nirvana e escolheram renascer para servir a humanidade.
Apesar destas referências pelo mundo todo, os tibetanos, geralmente referem-se a Sua Santidade como Yeshe Norbu, a Jóia, ou Kun-dun, a Presença.
A cerimónia de reconhecimento do XIV Dalai-Lama teve lugar a 22 de Fevereiro de 1940 em Lassa, a capital do Tibete. Dez anos depois, quando a China invadiu o território tibetano, com apenas 16 anos e mais nove de estudos religiosos por completar, Sua Santidade teve que assumir o poder político total.
Em Março de 1959, durante o Levantamento Nacional do Povo Tibetano contra a ocupação militar chinesa, partiu para o exílio.
Desde então, tem vivido nos Himalaias, em Dharamsala, na Índia, sede oficial do Governo tibetano no exílio, uma democracia constitucional instituída em 1963.
Na última década, o Dalai-Lama tentou estabelecer o diálogo com os chineses. Propôs o Plano de
Paz em Cinco Pontos em 1987/88, que poderia ter estabilizado toda a região asiática, e foi louvado por estadistas e especialistas em legislação no mundo inteiro.
O 14.° Dalai-Lama, ao contrário dos seus antecessores, que nunca viajaram no Ocidente, continua as suas viagens à volta do mundo, apelando à bondade, à compaixão, ao respeito para com o meio ambiente e sobretudo à paz no mundo.
Para além de uma extensa bibliografia, o líder espiritual já recebeu vários prémios honorários nos diversos países em que discursou, sendo o mais importante de todos o Prémio Nobel da Paz, recebido em 1989, graças ao reconhecimento da Academia Norueguesa relativamente às tentativas e esforços do Dalai-Lama em benefício da paz mundial.
Tenzin Gyatso continua a exercer a sua função de líder espiritual do budismo tibetano, que nos últimos anos encontrou famosos seguidores, como Richard Gere.»»
Além das palavras-chave registadas no texto de Sónia Correia dos Santos, registo algumas outras:
100 mil refugiados
doutoramento da divindade
criação de uma nação (governo) no exílio
Pandit Nehru não compromete a Índia a apoiar abertamente o Tibete contra a China
Guerra sino-indiana
Religião é um veneno (mao-tse-tung)
Resistência activa não-violenta
Um homem só contra o Golias da China
Massacre da Praça de Tianamen
Escrituras tibetanas
Os livros relacionados que conservo na biblioteca do gato já se encontram registados em outra notícia deste blog intitulada «buda».
Também referi o Dalai Lama no meu site «gatodasletras».
ANTÓNIO CABRAL, MEU AMIGO:
POETA E ESTUDIOSO DO FENÓMENO LÚDICO
quarta-feira, 10 de Agosto de 2005
Desde os tempos do quinzenário «A Planície» (anos 50) que conheço o António Cabral e houve tempo em que nos escrevíamos regularmente e sabíamos um do outro.
Cheguei a colaborar na página literária que ele coordenava em Vila Real de Trás os Montes, no semanário «Ordem Nova», e não sei se nos encontrámos pessoalmente em Lisboa alguma vez.
Files relacionados com o nome de António Cabral podem ser encontrados no meu
porta-arquivos
do yahoo.
O file inclui os dois poemas que publiquei no suplemento literário do jornal «Ordem Nova» , dirigido por António Cabral, em 1958.
Um deles, « quem sabe definir-te», é-lhe dedicado.
António Cabral foi um dos 79 poetas incluídos na antologia «Poesia Portuguesa do Pós Guerra» (1965, Editora Ulisseia), organizada por Serafim Ferreira e Afonso Cautela.
Também no jornal «Ordem Nova», 11.8.1957, António Cabral publicou uma entrevista comigo sobre «convívio, actividade nuclearista da cultura e «a planície», arquivada nas pastas do meu espólio pessoal.
Conservo cartas suas no meu espólio.
***
Tive hoje a sorte de encontrar, no alfarrabista Gilberto, um livro seu que já há muito procurava : «Jogos Populares Portugueses», editorial Notícias, 3ª edição (Julho de 1998) é o título que vou acrescentar à minha Biblioteca, onde apenas figurava o romance por ele publicado em 1989, «Memória Delta».
Registo a nota biográfica que acompanha o volume, bem como a foto do autor:
«António Cabral nasceu em Castedo do Douro (Alijo), em Abril de 1931.
Licenciado em Filosofia, pela Universidade do Porto, é delegado do Inatel em Vila Real de Trás os Montes, depois de ter sido professor.
Iniciou a vida literária na poesia, com destaque para os livros Poemas Durienses (1963), Os Homens Cantam a Nordeste (1967) e Bodos Selvagens (1997). No âmbito da ficção, merecem referência os romances Memória Delta (1990) e a Noiva de Caná) (1995), bem como a peça de teatro O Herói (1964 - 2.° prémio da Academia Teresopolitana de Letras).
De referir, entre os inúmeros ensaios, Teoria do Jogo (1990), Jogos Populares Portugueses de Jovens e Adultos (1991) e Jogos Populares Infantis (1991), que projectaram além-fronteiras o interesse pela recolha e estudo do jogo popular e do fenómeno lúdico.»
Foto de António Cabral e um texto seu sobre o fenómeno lúdico, de que é um investigador veterano, podem ser vistos no site seguinte:
http://www.colectividades.org/elo/025/p07.html
Mas digno da obra e da personalidade de António Cabral (autor dos poemas durienses) é mesmo o site arte «azul- rumos» - para difusão das belezas transmontanas e da capital da província de Trás-os-Montes, Vila Real:
http://sapp.telepac.pt/rumos/autores.html
A visitar sem falta.■
sábado, 6 de Agosto de 2005
Dando preferência aos meus mais antigos companheiros de jornada, o nome de Frederico Nietzsche aparece entre os primeiros, com Fialho, com Fritz Khan, com Wanda Wassilewska (o romance «Arco-Íris» sobre a resistência soviética ao invasor nazi), pois todos esses li na minha casa de Ferreira do Alentejo e a ela os meus verdes anos ficaram ligados.
As leituras de Nietzsche eram matéria de rija discussão com o meu amigo Joaquim Lúcio Duro, que também o tinha como autor de cabeceira.
Alguns livros desse tempo foram-se perdendo, mas outros persistem tão vibrantes como então. É o caso de Nietzsche, um caso obsessivo que nunca deixou de me emocionar mesmo nas traduções «gauche» da Guimarães ou talvez por isso. E pelos prefácios de José Marinho e Álvaro Ribeiro que, tenho a certeza, viciaram muita gente no solitário de Engandine.
Se tivesse que eleger 3 títulos entre os que ainda guardo na minha biblioteca do Gato, seriam, talvez, A Origem da Tragédia, as cartas inéditas e , claro, o Ecce Homo.
sábado, 6 de Agosto de 2005
A MINHA SAUDADE DE PASCOAES
O livro que o meu amigo A . Cândido Franco me ofereceu (*), em Outubro de 2003, torna inadiável neste blog a minha referência a Teixeira de Pascoaes e faz com que eu vença esta minha inércia para falar daqueles de quem mais gosto.
Sempre me é difícil falar daqueles que mais me disseram e ensinaram, como foi o caso de Pascoaes, tanto como Fernando Pessoa.
O pouco que inseri no meu site «Gato das Letras» foi o muito que consegui, com grande vergonha minha, escrever sobre Pascoaes.
Hoje é mesmo para quebrar esse silêncio e vos remeter para duas referências, qualquer delas de 5 estrelas:
1. O livro de A . Cândido Franco, «Teixeira de Pascoais – Espólio Manuscrito na Biblioteca Pública Municipal do Porto» (*)
2. O livro de Maria da Glória Teixeira de Vasconcelos, «Olhando Para Atrás Vejo Pascoaes», Ed. Livraria Portugal, Lisboa, 1971
(*) Em destaque e com muita honra, a dedicatória que Cândido Franco escreveu no seu precioso livro editado pela Câmara Municipal do Porto:« Ao Afonso Cautela, leitor antigo de Pascoaes, oferece com lembrança amiga o seu A . Cândido Franco, Lx., Outubro de 2003.»
O retrato de Columbano, que ilustra este dia do meu blog, foi digitalizado do livro de Maria da Glória Teixeira de Vasconcelos
quinta-feira, 4 de Agosto de 2005
O MEU AMIGO IVAN ILLICH
No meu site «Gato das Letras», inseri textos meus – inéditos e publicados - de várias épocas: 1972, 1974, 1980 e 1981.
Ivan Illich foi a minha doce e persistente obsessão, sem ele eu não teria escrito nem metade nem um terço do que ousei escrever contra o establishment, a tecnocracia e a manipulação do homem pelo homem.
O número 9, da minha colecção «Mini-Ecologia», Edição «Frente Ecológica» (1976) foi uma dessas minhas proezas.
Uma única pasta, nº 56 (bola azul) , do meu espólio pessoal, conserva recortes, manuscritos e dactilmanuscritos dessas minhas proezas.
No meu
porta-arquivos
do Yahaoo pode ser encontrado o frontespício dessa pasta nº 56, que aqui deixo desformatado, a ver se resulta:
***
= leituras selectas – espólio ac à vista
Sexta-feira, 16 de Julho de 2004
AO ESCRUTINADOR DO ESPÓLIO AC
AFONSO CAUTELA
O MEU AMIGO IVAN ILLICH
ESTA PASTA EM 16 DE JULHO DE 2004
PUBLICADOS
-2-1975 – Nós os fósseis de amanhã , in jornal
«encontro»
1976 – a idade solar : ivan illich e wilhelm reich – col.«mini-ecologia», nº 9
2-10-1980 – ac entrevista ivan illich , in «portugal hoje»
16-4-1981 – nem só de trabalho vive o homem , inCPT
29-1-1982 – ivan o terrível: profeta das alternativas, in «voz da amadora»
3-8-1985 – trabalho-sombra, in CPT
FILES:
@
SÉRIE «BIG NAMES»
@
PAÇO DE ARCOS
2004
***
Publiquei a entrevista com Ivan Illich no jornal «Portugal Hoje» (2/10/980), o que, escusado será dizer, muito me honra.
Acho que digitalizei para o meu site um texto de cinco estrelas - «Nós, os Fósseis de Amanhã», que publiquei no jornal «Encontro» (Fevereiro de 1975) e de que guardo o amarelecido original.
Nem só de fotocópias vive o meu espólio, claro!
Guardo tudo isto mas para minha vergonha conservo apenas um título seu: «Limites para a Medicina», que me contagiou da doença de que hei-de carpir-me toda a vida: o meu ódio à medicina iatrogénica!
A que, para piorar, chamei, em título genérico, de «Mein Kampf».
Sem Ivan Illich talvez eu tivesse sido um tipinho bem mais feliz!
A ele agradeço (e a alguns outros) não ter sido um tipinho feliz.
quinta-feira, 4 de Agosto de 2005
AO MEU COMPANHEIRO MICHIO KUSHI
Michio Kushi: outro companheiro inseparável dos meus dias e das minhas leituras.
Assisti, em Lisboa, a todos os seus seminários, li, reli e tresli todos os seus livros traduzidos em português (são muitos, felizmente!) e até em inglês, de fio a pavio, essa obra-prima de Ecologia Humana que se chama «Aids, Macrobiotics & Natural Immunity»: pelo prefácio (dois terços do livro) de Martha C. Cottrell tanto como do próprio texto do Michio.
No meu site «Gato das Letras» transcrevo o possível de inéditos e publicados por mim sobre Michio.
O encontro com o seu livro sobre alquimia foi outro deslumbramento, pouco partilhado pelos gurus do meio macrobiótico. No meu site registei os títulos que guardo sobre Michio, Oshawa e dialéctica Yin-Yang.
Escusado dizer que com o meu código [-yy ] = yin-yang, existem duas centenas e meia de textos word, prova da perseguição cerrada que fiz, ao longo dos anos, ao Michio, a Oshawa e ao Yin-Yang em geral, a única bússola que não se partiu ao longo dos meus longos e persistentes nigredos, em que o de 2004 se destaca pelo episódio inédito de três ou quatro hospitalizações...
Ao escrutinador do meu espólio deixo a indicação da pasta dedicada a Michio Kushi: preta vulgaris, nº 45 (bola azul), com o célebre caderno «Transmutações Atómicas», editado pelo Instituto Kushi de Francisco Varatojo. Para quem tenho aliás e também uma imensa dívida de gratidão, especialmente se falarmos dos meus nigredos...
Ver meu
porta-arquivos
do yahoo
e
meu site
gato das letras
O MEU IRMÃO FRANZ KAFKA
quinta-feira, 4 de Agosto de 2005
Se há companhias inseparáveis que de longe vêm, Franz Kafka é, com certeza, um deles.
Além dos «Diários», de 1953, na edição argentina da Emecé - o seu livro que mais me marcou - , os outros títulos deviam estar incluídos.
Parte do que escrevi, entre inéditos e publicados, está no site «Gato das Letras». Documentos manuscritos e dactilmanuscritos, podem ser confirmados no meu espólio, pasta preta Aème, nº 31 (bola azul).
Também no
porta-arquivos
do Yahaoo deixo o que havia digitalizado.
E também no meu
Site
«O Gato das Letras».
Quando se trata de Kafka, regra geral fico sem palavras. Por isso, hoje, o meu tributo fica por aqui.
Nada impede que volte mais vezes, porque sempre volto a Kafka, eterno retorno de um destino irmão. Seria mesmo um discurso que eu, um dia (quando?) ainda gostaria de imitar.
Por tudo isto e por muito mais, é o momento de o inserir nesta galeria de amigos e companheiros de jornada.
Guardo 14 títulos seus, na «Biblioteca do Gato», mas o principal é mesmo o tesouro da edição dos «Diários», compilados pelo famoso Max Brod, em tradução para a língua espanhola da editora argentina Emecé.
segunda-feira, 1 de Agosto de 2005
ANTÓNIO QUADROS, O JORNAL «57» E EU
Data, pelo menos, de 1957, a amizade que me ligou ao escritor António Quadros.
Aceitou-me no jornal «57», que dirigia e onde colaborei com vários artigos.
No quinzenário «A Planície», de Moura, escrevi sobre um livro seu que muito me interessou: «A Angústia do Nosso Tempo e a Crise da Universidade» (1956).
É um dos documentos que deixo no meu site «O Gato das Letras», secção «Lugar aos Amigos» .
Mas os melhores documentos são manuscritos e dactilmanuscritos, dele e meus, que guardo para a história na pasta preta vulgaris, Nº 48 (bola azul) do meu espólio.
Além das cartas trocadas entre nós, há uma dactilografia minha, extensa, sobre o jornal «57» , e que nunca talvez venha a saber se foi publicada: é provável que sim, porque se trata de uma cópia a papel químico do original
As minhas dissidências com a gente d’ A Planície, nunca com o Miguel Serrano mas com o núcleo do Porto que se tornou dominante no jornal, começaram exactamente por essa minha amizade com António Quadros. Para os esquerdistas meus «amigos» era proibido escrever sobre o filho de António Ferro e colaborar no jornal por ele dirigido.
Anos mais tarde, num dos meus muito desempregos, foi ele, como director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, que me deu oportunidade de trabalhar na itinerante de Tavira.
Volto sempre a ler os seus livros, incluindo aqueles em que estuda a filosofia portuguesa e não preciso de dizer que concordo com a maioria das suas teses, correctíssimas num país de intelectuais desalmados, para não dizer de «estrangeirados» sem remédio.
Voltarei sempre que possível a reler o António Quadros, repertório inesgotável de ideias e lucidez inexcedível.
A sinopse biográfica de António Quadros (1923-1994) no quadro da filosofia portuguesa, pode ser visto no site do Instituto Camões:
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/filosofia/1910g.html
GATOS E FIALHO: UM REENCONTRO DE SEMPRE
Nesta galeria de autores (e livros) que foram meus amigos e de quem fui amigo, deverá ter lugar mais do que especial o meu primo Fialho de Almeida, que li desde, pelo menos, os meus 10 ou 12 anos. O meu pai tinha todos os seus livros, na edição da Clássica e que ainda conservo.
Se não os li a todos, foram pelo menos alguns dos primeiros que preencheram as minhas leituras, até de madrugada, na nossa casa de Ferreira do Alentejo.
Não perdi muitos títulos desse tesouro, acrescentei algumas edições mais modernas e escrevi textos que não seriam todos os que, por gratidão e devoção, quereria ter escrito sobre o meu primo e amigo Fialho.
Em rascunho que anexei a vários recortes com fotos de Fialho, escrevi esta pequena anotação:«herdei-lhe alguns genes, até porque nasci exactamente 9 meses depois dele se suicidar, entre Vidigueira e Vila de Frades».
Não quero deixar de registar a mais recente alegria que me foi dada: o livro «O Essencial sobre Fialho de Almeida», do meu amigo António Cândido Franco, edição Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Trancrevo a dedicatória: «Ao Afonso Cautela, homenagem amiga do A. Cândido Franco.»
Por agora, deixo apenas esta pequena nota e os textos que tinha digitalizado no meu
porta-arquivos
do yahaoo.
Fialho vai entrar hoje mesmo no meu
site «O gato das Letras»
Podem ligar a um site do Projecto Vercial:
http://web.ipn.pt/literatura/fialho.htm
***
No meu espólio há uma pasta (preta vulgaris) nº54 (bola azul) com recortes alusivos a Fialho, assim como uma outra pasta não numerada com o título «Fialho Morto Querido», com documentos sobre Fialho.
Não hoje mas hei-de fazer um dia, neste meu blog, um link à lista dos arquivos do meu espólio: garanto que é muito papel...
É tempo de recordar, em algumas linhas, o nome de Miguel Serrano, o jornalista e escritor meu amigo, sobre o qual escrevi meia centena de files, a maior parte digitalização de cartas do tempo do quinzenário «a planície», de Moura.
Dos livros que publicou recordo a sua estreia, «O Sinal», contarelos, edição Convívio que acompanhei de perto, desde a escrita manuscrita até à revisão tipográfica.
Apesar da sua febril actividade de jornalista, no «Diário Ilustrado», no diário «República» e n'«O Diário», entre outros jornais, o Miguel não deixou de dedicar algum do seu pouco tempo a escrever livros quase sempre, e no meu entender, maravilhosos. Não disse muito mas disse alguma coisa nos textos que sobre ele escrevi e que irei hoje mesmo colocar no meu site «O Gato das Letras».
Pesquisando o nome de Miguel Serrano na Net, aparecem-me apenas duas referências ao seu nome, e sempre no âmbito de outras áreas: no site do semanário «Notícias da Amadora», por causa do prefácio que ele escreveu a um livro de Orlando Gonçalves e no site «Projecto Vercial» no âmbito de um ouutro autor que merece ali destaque e fotografia.
Digitalizar uma foto do Miguel é o menos que hoje posso fazer para honrar a sua lembrança e dar mostra da minha gratidão a esse companheiro do jornal «A planície»: foi ele, aliás, que me levou para o jornal «República» e me meteu, portanto, na vida de jornalista: para o bem e para o mal, foi assim e por isso estou-lhe grato.
O resto que tenho a dizer sobre o meu amigo irá para o
porta-arquivos
do meu fiel Yahaoo
e para o meu
site
O gato das Letras.
REENCONTRO COM JOSUÉ DE CASTRO
Com alguma pena minha, altero hoje um pouco a imagem que tenho mantido deste blog, onde a foto de cada um dos meus autores representa, muitas vezes, o melhor de cada posted.
Em vez da foto, faço link para algum site que tenha também uma boa foto: e isto porque o yahoo, em relação a todas as fotos, não me garante que estejam isentas de copyright.
Sempre que possível, então, para salvaguardar esse copyright, digitalizarei uma imagem.
Com alguma pena minha, também, guardo apenas três títulos deste autor que sigo há tantos anos, desde «A Geografia da Fome» e «Sete Palmos de Terra e um Caixão»: mas o livro que me deixou mesmo marca profunda e duradoura, até hoje, foi «O Ciclo do Caranguejo» que infelizmente já não figura na minha biblioteca do gato.
Seis ou sete enciclopédias não conseguiram resolver-me uma pequena falha de memória: se o título é «o ciclo» ou «o círculo do caranguejo». Inclino-me para «ciclo» mas não tenho a certeza. Metade das enciclopédias nem o nome deste autor incluem!...
Confirmo agora mesmo o título do livro a que dediquei um extenso texto a incluir no meu site «O Gato das Letras»: é mesmo «O Ciclo do Caranguejo».
Escrevi bastante sobre Josué de Castro e entrevistei-o para «O Século Ilustrado»: o que estiver digitalizado irá para o meu
porta-arquivos
do meu fiel yahoo.
Hoje mesmo vou criar no meu site
«O Gato das Letras»uma página dedicada a josué de castro, um clássico do século XXI que parece estar esquecido na era das globalizações.
sexta-feira, 29 de Julho de 2005
Com o trabalho de casa já bastante adiantado - ou seja, com o Lawrence Durrell já inserido no meu
site
«O Gato das Letras» - aproveito o dia de hoje para uma revisão geral da matéria dada:
a)falar da admiração que por ele tenho desde a leitura do Quarteto de Alexandria, e desde «O Labirinto Negro» mas especialmente desde as cartas trocadas entre Lawrence e Henry Miller
b) confessar a mágoa de já não ter na minha biblioteca do gato este último título e apenas ter conseguido reconstituir a edição original de «O Quarteto de Alexandria», da editora Ulisseia
c) aliás, foi como revisor tipográfico da Ulisseia, nessa fase, que tomei conhecimento das traduções (que todo o mundo culto classificava de magníficas) do Daniel Gonçalves
e) agradecer mais uma vez ao Serafim Ferreira, pois foi ele que me levou para a editora Ulisseia como revisor tipográfico e foi com ele que fizemos a revisão dessas traduções de Daniel Gonçalves.
O dossiê durrel com 7 files vai já para o meu
porta-arquivos
do Yahoo.
Também deixo indicação de um
site
entre os muitos que a Net exibe.
Não é grande coisa e só o indico pois refere a actual Ulisseia, que nada tem a ver, evidentemente, com a Ulisseia onde eu fui afincado revisor tipográfico.
quinta-feira, 28 de Julho de 2005
Agradeço ao Canal História, dia 27 de Julho de 2005, o reencontro com a figura de Sidarta Gautama, o Buda.
A minha viagem a Nyima Zong, em 1977, marca o meu primeiro encontro com o budismo Nyingma, a que não tenho dedicado o tempo e a atenção devidos.
O que escrevi sobre o Lama Kunzang Dorje veio publicado no jornal «A Capital» e num caderno destacável n’«O Século Ilustrado», que recordo.
Hora e meia no Canal História é muito importante: tive ocasião de relembrar algumas palavras-chave do percurso de buda e meu (desculpem-me a impertinência mas estou por ele autorizado a escrever: « cada um de nós pode tornar-se buda, todos podemos encontrar a iluminação. Quando se sabe isto, deixamos de ter medo») :
A via do meio termo
Ananda – discípulo mais próximo
Atingir a iluminação
Benares
Bodgaia
Buda = O iluminado
Escrituras budistas
Gaia
Impermanência
Lei de causa e efeito = karma
Parque das gazelas
Sangha = Comunidade monástica budista
Sermão de Sarnah
Vacuidade
Hoje, queria só assinalar um nome na minha galeria de grandes nomes e lembrar:
a)O que escrevi à volta do budismo pode ser lido no meu
porta-arquivos
do Yahoo
b)E no meu
site
«O gato das Letras»
Na «Biblioteca do Gato» guardo, apesar de tudo, 9 títulos dos muitos que já tive sobre buda e o budismo:
1. Sogyal Rinpoche – O Livro Tibetano da Vida e da Morte – Ed. Prefácio, Lisboa, 2001
2. Alexandra David Neel – Inmortalidad y Reencarnacion – Ed. Dedalo, Buenos Aires, s/data
3. Chris Pauling – O Pensamento Budista – Ed. Presença, Lisboa, 1999
4. Thich Nhat Hanh – Buda Vivo – Cristo Vivo – Ed. Círculo de Leitores, Lisboa, 1999
5. Dalai Lama e outros – Espírito e Ciência – Ed. Relógio d’Água, Lisboa, 1999
6. Marcus Borg – Jesus e Buda – Ed. Piaget, Lisboa, 1998
7. Jean Claude Carrière – A Força do Budismo – Ed. Difusão Cultural, Lisboa, 1995
8. Gilles Van Grasdorf – Penchen Lama – Ed. Asa , Porto, 2001
9. M.Y. Evans-Wentz – O Livro Tibetano dos Mortos – Ed. Pensamento, São Paulo, 1985
segunda-feira, 25 de Julho de 2005
UM AUTOR APAIXONADO E APAIXONANTE
«Releio, para confirmar, a mística da Natureza em Jean Giono romancista e não há dúvida que passa à frente de todos os místicos da Natureza já por mim (re)conhecidos: D.H. Lawrence, Henry David Thoreau, mesmo o Herman Hess. »
AFONSO CAUTELA, ver file , 18-1-1992
Graças à editora Relógio de Água, aí temos uma nova edição de «Mulheres Apaixonadas», de D. H. Lawrence, na bela tradução de Cabral do Nascimento que li na edição da Portugália Editora.
Deve ter sido o autor de romances longos que consegui ler sem parar. E alguns, reler, como é o caso de «Canguru» ou «A Serpente Emplumada», uma visão de culturas autóctones que não tem sido, ao que me parece, suficientemente enfatizada nos que escrevem sobre D.H.Lawrence.
Por tudo e pelo que digo acima, considero-o um precursor da ideia ecológica ou, como digo, da «mística da natureza».
De certa maneira, o escândalo à volta de «O Amante de Lady Chaterley» esbateu todas as outras implicações da sua obra, em que o próprio rótulo «místico da sexualidade» é limitante.
Tenho a sorte de ainda guardar as belíssimas edições da Portugália entre os 9 títulos que guardo de D. H. Lawrence:
1. D.H.Lawrence – A Serpente Emplumada – Ed. Unibolso, Lisboa, s/d
2. D.H.Lawrence – A Serpente Emplumada – Ed. Portugália, Lisboa, s/d
3. D.H.Lawrence – História de uma Rapariga – Ed. Portugália, Lisboa, s/d
4. D.H.Lawrence – Canguru – Ed. Portugália, Lisboa, s/d
5. D.H.Lawrence – Filhos e Amantes - Ed. Portugália, Lisboa, s/d
6. D.H.Lawrence – O Amante de Lady Chaterlay – Ed. Galeria Panorama, Lisboa, 1970
7. D.H.Lawrence – O Raposo – Ed. Livros do Brasil, Lisboa, 1962 Col. Miniatura, nº 143
8. D.H.Lawrence – A Virgem e o Cigano - Ed. Livros do Brasil, Lisboa, 1962 – Col. Miniatura, nº 130
9. D.H.Lawrence – A Virgem e o Cigano - Ed. Euroclube, Lisboa, 1985
Remeto os files que escrevi para
porta-arquivos
e para o meu
site
Gato das letras
segunda-feira, 25 de Julho de 2005
UMA VIDA VIOLENTA
Foi como se um vendaval tivesse passado aqui por casa e tivesse levado tudo que havia de livros de Pasolini.
Desde que o li como revisor tipográfico da editora Ulisseia, ficaram-me na alma esses livros magníficos que são «Una Vita Violenta» e « Ragazzi di Vita».
Depois, nos filmes, a «Il Vangelo secondo Mateo» ( uma pacífica reconciliação com a vida), seguir-se-ia o inominável «Salò ou os 120 Dias de Sodoma» (1976?) em que claramente assinava a sua sentença de morte. Mais tarde ou mais cedo iria suceder. Aconteceu em 1975, em que foi assassinado.
Gosto do que sobre ele escrevi em Novembro de 1969, nos dois files que sobre ele escrevi e que vão ficar no meu
porta-arquivos
e também no meu site
Gato das Letras
O «Diário de Notícias» falou hoje dele , por causa do livro «Poemas» que acaba de ser publicado pela editora Assírio e Alvim.
E eu tenho oportunidade de o incluir entre os autores da minha vida nada violenta, afinal de contas, e vendo bem as coisas.
Escolhi um site entre os vários que a pesquisa Yahoo me indicou.
http://www.pasolini.net/brasil.htm
segunda-feira, 25 de Julho de 2005
«Arrabal é um espeleólogo daquele inconsciente colectivo que Jung teorizou, um mergulhador nas profundidades oceânicas onde se encontra a parte imensa e imersa do «iceberg». Não sendo o único poeta, o único profeta a explorar essas águas, Arrabal é, com certeza, um dos que têm obtido maior êxito público com a aventura... E continua obtendo.»
afonso cautela
Já o inseri no meu site gato das letras mas quero trazê-lo aqui a primeiro plano como um autor para mim marcante e que tive a sorte de poder entrevistar, conforme pode ser comprovado, quer no meu
site
quer no meu
porta-arquivos
do Yahoo
Infelizmente guardo apenas dois títulos da sua obra na minha biblioteca do Gato:
1. Fernando Arrabal – Baal Babilónia – Viva la Muerte –Ed. Estampa, Lisboa, 1977
2. Carta aos Militantes Comunistas espanhóis – Ed. Via, Lisboa, 1979
Destaco um
site
entre os vários que aparecem no search do Yahoo e que frisam quase exclusivamente o dramaturgo.
Três linhas numa enciclopédia (Mini-Enciclopédia, Círculo de Leitores) e é quase tudo o que nos oferecem sobre este autor genial:
«Escritor e cineasta espanhol (1932-? ). Em 1955 fixou-se em Paris. Evoca numa linguagem directa e irreverente, personagens e ambientes típicos da marginalidade contemporânea».
E obrigado a todos, mesmo as enciclopédias que não o citam.
domingo, 24 de Julho de 2005
ROMEU DE MELO, FICCIONISTA E FILÓSOFO:
A VIDA É A OBRA
Por estranho que pareça (ou talvez não) mas se quiser encontrar na Net o nome do filósofo e meu amigo Romeu de Melo, devo ir aos sites de ficção científica que o Yahoo search me propõe.
Não é tão estranho assim, porque ele escreveu e publicou, além de ensaios filosóficos, magníficas narrativas de ficção científica, de que se destaca «A Buzina» e «AK».
Guardo 9 títulos na Biblioteca do Gato, secção Lugar aos Amigos, que é o lugar do coração:
1. Romeu de Melo – Ensaio sobre a Cultura – Ed. Presença, Lisboa, 1963
2. Romeu de Melo – Considerações sobre Frederico Nietzsche – Ed. Coimbra, Coimbra, 1961 – 2ª edição, 1961
3. Romeu de Melo – O Reino Original – Ed. Arcádia, Lisboa, 1983
4. Romeu de Melo – O Homem Contemporâneo – Ed. Arcádia, Lisboa, 1983
5. Romeu de Melo – Reflexões – Ed. Arcádia, Lisboa, 1981
6. Romeu de Melo – Reflexões-2 – Ed. Dom Quixote, Lisboa, 1986
7. Romeu de Melo – Reflexões-3 – Ed. Notícias, Lisboa, 1990
Decepcionante mesmo, para mim, foi a busca de uma simples nota biográfica. Nem Yahoo, nem Google, nem Vercial - «a maior base de dados da literatura portuguesa» - conseguiram responder à minha pesquisa.
Retiro daqui uma lição, uma ilacção. Vou deixar o meu nome e biografia na Net, para algum observador marciano um dia encontrar vestígios meus da minha passagem pelo planeta terra, ao menos as duas datas: nascimento e óbito.
O que nem sequer encontro para o Romeu, que também não fez nada por isso, pois não há a mínima sinopse biográfica nos seus 7 livros que guardo.
Quando somos assim apagados da memória colectiva, não devemos queixar-nos de ninguém, nem sequer de nós próprios. Temos o anonimato que merecemos e possivelmente que queremos.
Talvez ele nos queira dizer que a sua vida é a sua obra e essa, sim, figura exaustivamente em todos os seus livros.
Recordo-me que o entrevistei para «O Século Ilustrado» - 15/Abril/1972 - e se conseguisse o texto talvez o digitalizasse.
Apesar de tudo, tenho alguns files no meu
porta-arquivos
onde cito o Romeu de Melo, meu amigo e guru de filosofia.
A homenagem possível ao meu amigo.
Vou arquivar no
porta-arquivos
do Yahoo um zip de 7 files, o dossiê hoje possível sobre o Romeu.
Sites na Net com referência a Romeu de Melo, coordenador de duas antologias de ficção científica:
http://www.scite.pro.br/tudo/fic.php?_algunsdosmelhorescontosdeficcaocientifica
http://www.scite.pro.br/tudo/fic.php?_algunsdosmelhorescontosdeficcaocientifica2
http://www.tecnofantasia.com/cgi-bin/tfmaint.cgi/03/00/T1116899737/3
sábado, 23 de Julho de 2005
CONVERGÊNCIA HOLÍSTICA NO SEU MELHOR
Data de 5-8-1990 o meu encontro decisivo com o livro «O Tao da Física», de um autor decisivo na convergência holística, Fritjof Capra.
A convergência entre uma sabedoria remota – o taoísmo – e a física moderna, levou-me a escrever (e a publicar) alguns artigos entusiásticos sobre estas leituras, que antecedem de três anos o meu encontro com a hipótese vibratória de Etienne Guillé, síntese de todas as sínteses (a suprema convergência holística entre sabedoria tradicional e ciência moderna).
Convido o leitor interessado nesta aventura a procurar esses artigos (algo polémicos, admito) no meu
porta-arquivos
do meu sempre fiel Yahoo.
Dois sites para os mais curiosos de Fritjof Capra e da sua capacidade para abranger várias ciências e sabedorias:
http://archipress.org/episteme/capra2.htm
http://www.geocities.com/Vienna/2809/Capra.html
Guardo na Biblioteca do Gato três títulos deste senhor:
1. Fritjof Capra – O Tao da Física – Ed. Presença, Lisboa, 1983
2. Fritjof Capra – O Ponto de Mutação – Ed. Cultrix, São Paulo, 1982
3. Fritjof Capra – La Trama de la Vida – Una Nueva Perspectiva de los Sistemas Vivos – Ed. Anagrama, Barcelona, 1996
sábado, 23 de Julho de 2005
UM PSICANALISTA MUITO PECULIAR
Agora me lembro: chama-se «O Medo à Liberdade» o primeiro livro que me atraiu para o psicanalista norte-americano da escola marxista, Erich Fromm (1900-1980). É uma edição da editora Zahar, Rio de Janeiro, não sei de que ano (segunda metade da década de 50?) e, desde então, nunca mais deixou de me acompanhar através de correntes e escolas por onde passei ou perpassei.
Perdi (emprestei) o livro mas o livro ficou.
Sei que o li em Beja, quando também os surrealistas me enchiam as leituras até de madrugada. Talvez o ano de 1960 seja a data mais aproximada da minha aproximação ao filósofo que escreveu, entre outros títulos, «Psicanálise e Religião».
Erich Fromm nunca me desiludiu, deve ser o único «psicólogo» e «psicanalista» que não cansa.
Relaciono-o com o meu amigo Romeu de Melo, filósofo que muito estimava também o Erich Fromm.
A convergência da psicanálise com o marxismo não podia deixar de me interessar, de nos interessar, ao Romeu e a mim. E não deixou, ao longo dos anos, mesmo agora que não guardo todas as obras dele que me marcaram, a partir de «Escape from Freedom» («O Medo à Liberdade»).
Uma obra particularmente persiste: «A Linguagem Esquecida», visão mais junguiana do que freudiana (e muito peculiar) dos sonhos. Que felizmente, continuam a ser, por mais que mos expliquem, um dos meus enigmas mais estimados. Rotas do maravilhoso que vou trilhar até Deus me dar vida.
Títulos ainda na Biblioteca do Gato:
1.Erich Fromm – A Linguagem Esquecida
2.Erich Fromm – O Espírito de Liberdade - Ed. Zahar, Rio, 1970
3.Erich Fromm – Psicanálise e Religião – Ed. Livro Ibero-Americano, Rio, 1956
4.Erich Fromm – Ética e Psicanálise – Ed. Minotauro, Lisboa, s/d
Não há sites de grande qualidade mas escolhi um, o primeiro da pesquisa Yahoo:
http://www.geocities.com/Vienna/2809/Fromm.html
O que escrevi à volta de Erich Fromm (ou por ele directamente motivado) pode ser consultado na pasta fromm-ol
no meu
porta-arquivos
do meu fiel Yahoo.
Sexta-feira, 22 de Julho de 2005
PISTAS DO MARAVILHOSO
Não é tarde nem é cedo para reconhecer um dos livros e autores que mais me fascinaram: James Churchward, com a sua obra «O Continente Perdido de MU». Escrevi vários files , talvez longos, levado pela vertigem das teses que Churchward propõe.
Podem ser consultados no meu
Porta-Arquivos do Yahoo.
Guardo cinco títulos da sua autoria, na minha Biblioteca do Gato:
1.James Churchward – O Continente Perdido de M U – Ed. Hemus, São Paulo, 1972
2.James Churchward – The Sacred Symbols of M U – Ed. Be Books, Albuquerque - 1987
3.James Churchward – Lost Cities of Ancient – Lemuria & The Pacific – Ed. Adventures Unlimited Press, Stelle, Illinois, 1988
4.James Churchward –M U, Le Continent Perdu – Ed. J’ai Lu, Paris, Col. A 223, 1969
5.James Churchward – L’Univers Secret de M U – Ed. J’ai lu, Paris, Col. A 241, 1970
IRENE LISBOA:LUGAR AOS AMIGOS
Nunca está esquecida mas tem que ser lembrada, no Lugar aos Amigos que neste blog é o lugar do coração.
A minha querida amiga Irene Lisboa, sobre a qual escrevi alguns textos que vou arquivar no
porta arquivos
do Yahoo, esperando sempre que ele não me defraude.
Apesar de tudo, está bem representada na Net , só o site do Instituto Camões põe limites restritivos ao acesso... Isto de institutos é assim.
Mas vá lá, não se esqueceram da Irene Lisboa que, para mim, se encontra ligada aos tempos d’«A Planície», anos 75 e seguintes.
E essa é a minha mágoa: apenas guardo 6 títulos dela na «Biblioteca do Gato», quando tinha praticamente todas as primeiras edições. Não sei se ficaram com o Miguel Serrano, que também adorava Irene. Além de ter escrito contarelos tão lindos como os dela: meus dois irmãos queridos!
Eis os títulos que ficam guardados no meu espólio para quem vier depois:
1. Paula Morão – O essencial sobre Irene Lisboa
2. Irene Lisboa – Modernas Tendências da Educação – Biblioteca Cosmos, nº21 – Ed. Cosmos, Lisboa, 1942
3. Irene Lisboa (João Falco) – Esta Cidade – Edição da autora? - Lisboa, 1942
4. Irene Lisboa – Voltar Atrás para quê? – Col. Unibolso, nº 37 – Editores Associados, Lisboa, 1975 (?)
5. Irene Lisboa – Queres Ouvir? Eu Conto – Ed. Figueirinhas, Porto, s/d
6. Irene Lisboa – Uma Mão Cheia de Nada e Outra de Coisa Nenhuma – Ed. Figueirinhas, Porto, Dezembro de 1978
Eis três sites escolhidos entre os melhores dedicados a Irene Lisboa:
http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Irene-Lisboa.htm
http://www.iil.pt/artigo.asp?id=3
http://www.instituto-camoes.pt/cvc/literatura/irene.htm
Jacques Bergier marcou-me desde 1960, quando li esse brain-storm que continua a ser o «Le Matin des Magiciens». Depois procurei tudo o que ia aparecendo traduzido em português e em brasileirês. Um destaque especial vai para esse estranhíssimo e perturbante livro que se chama ...«Os Livros Malditos», que guardo religiosamente na edição brasileira da Hemus. Livros sobre livros têm aqui, obviamente, lugar de honra neste meu blog.
Faça clik
aqui
para os meus files sobre bergier. Espero que o porta-arquivos da Yahoo se porte bem, pois a experiência anterior foi frustrante: às tantas desapareceram os arquivos já inseridos, sem que conseguisse perceber porquê, nem se a culpa era minha. Falavam-me de cookies mas em inglês: ora eu optei pelo Yahoo Brasil precisamente porque o inglês me escapa. Coisas da Net.
Convido o meu leitor a visitar os seis sites que escolhi sobre Bergier, verdadeiramente deslumbrantes e fascinantes. É uma maneira de chamar a atenção para uma das ciências sagradas - a Alquimia - que desde 1992 tenho tentado aprender. Não será Bergier o autor moderno que melhor falou
de alquimia mas pode ser uma pista possível entre aquelas que um dia vos irei apresentando.
Registo os 7 títulos que guardo na Biblioteca do Gato:
1.Jacques Bergier - Os Livros Malditos - Ed. Hemus, São Paulo, 1972
2.Jacques Bergier - A Terceira Guerra Mundial já Começou - Ed. Afrodite, Lisboa, 1976
3.Jacques Bergier - Eu Não Sou uma Lenda - Ed. Nostradamus, Lisboa, 1978
4.Jacques Bergier - Visto para Outra Terra - Ed. Arcádia, Lisboa, 1975
5.Jacques Bergier - Os Impérios da Química Moderna - Ed. Hemus, São Paulo, 1973
6.Jacques Bergier - A Volta dos Mágicos - Ed. Hemus, São Paulo, 1973(?)
7.Jacques Bergier - As Fronteiras do Possível - Ed. Verbo, Lisboa, 1971 (?) - Livros RTP, nº 57
Eis os maravilhosos sites dedicados a Bergier, homenagem possível a um dos dois autores do realismo fantástico:
http://www.jacquesbergier.org/
http://users.skynet.be/thomas/bioberg.htm
http://aquimia.vilabol.uol.com.br/Bergier/
http://users.skynet.be/thomas/citaberg.htm
http://www.evasion.ch/alchimia/Page1.htm
http://users.skynet.be/thomas/bibliojb.htm
ECOLOGIA:A NOMENCLATURA ESTRUTURAL E ESTRUTURANTE
Reencontrei,domingo passado,na Feira das Velharias, em Paço de Arcos, um livro de que já tinha perdido o rasto e que me marcou nos meus anos da Ulisseia como revisor tipográfico: Fevereiro de 1969 é a data da tipografia desse livro: «A Vida Quotidiana no mundo Moderno».
Mas dois anos antes, em 1967, a Ed. Moraes publicava «Contra os Tecnocratas - Acabar com a ficção Científica».
Tenho seis files, pelo menos, com leituras de Lefèbvre, o que me honra e emociona bastante: quero hoje mostrar a minha gratidão, publicando a foto do autor e um link para o site escolhido.
Os files que, em princípio vou lançar no meu Porta-Arquivos do Yahoo, são o que de momento posso oferecer a quem tanto devo: basta pensar em duas palavras-chave da minha vida - tecnocrata e quotidiano - nos três livros que me restam deste meu autor:
1. Henri Lefebvre - Contra os Tecnocratas - Ed. Moraes, Lisboa, 1967
2. Henri Lefebvre - A Vida Quotidiana no Mundo Moderno - Ed. Ulisseia, Lisboa, 1969
3. Henri Lefebvre - O Marxismo - Ed. Bertrand, Lisboa,1974
17-07-2005 18:23:39
O MUNDO QUE EU NÃO FIZ
Reencontrei hoje, em Paço de Arcos, na Feira de Velharias, um livro de que tenho óptimas recordações e sobre o qual escrevi em 8-6-1967 um texto admirativo, publicado no suplemento literário do «Jornal de Notícias», onde eu colaborava a convite do Serafim Ferreira.
É «O Mundo que eu não Fiz», editora Ulisseia, trad. de Fernando Augusto Lopes de Oliveira.
Não é de estranhar que tenha escrito e publicado esse texto, porque, dos romances longos, foi um dos poucos que li na íntegra e pela simples razão de que fiz a revisão tipográfica como revisor da Editora Ulisseia, para onde me levou o Serafim Ferreira.
Mas é um autor que me interessa, principalmente, como digo no tal file
farrell-1, pelo uso genial que faz do calão e que o tradutor para português, Fernando Augusto Lopes de Oliveira, não desvaloriza antes pelo contrário.
Dos 200 sites em português (pesquisa yahoo) nem um só que refere James Farrell, o que só confirma o que eu dizia em 1967: não encontrava, nas enciclopédias disponíveis, o nome de James Farrell.
Mas há um site em inglês que vivamente recomendo
17-07-2005 16:12:06
UM HOMEM LIQUIDADO QUE HEI-DE IMITAR
Desde «Um Homem Liquidado», que devo ter lido à volta de 1962, quando andava na Biblioteca Itinerante da Gulbenkian (Tavira), o Giovanni Papini não deixou de profundamente me marcar.
Pelo estilo prolixo de escrita, muito próximo do meu prolixo, pelo confessionalismo aberto ou mascarado dos seus livros e, claro, pela temática eleita da «diabologia».
Um místico a entrar no profano, um místico de banda larga que sempre invejei e desejei imitar.
Ainda hoje tenho «Un Uomo Finito» como modelo que gostaria de imitar na minha autobiografia. Ao meu biógrafo, exijo que (me) sublinhe este meu autor de sempre e que continua nas minhas estantes com o logotipo do gatinho verde.
Tenho poucos files que o referem explicitamente mas muito do que escrevi tem a sua inspiração. Os 10 files relacionados vão para o
Porta-Arquivos
do meu estimado Yahoo.
Há que ver uma coisa: para a crítica literária, Papini foi sempre um autor secundário e talvez por isso, subliminarmente, obedecendo aos ditames oficiais da crítica, faltou-me sempre o imperativo para sobre ele escrever.
Hoje, fica a minha homenagem e o link de referência para o primeiro site que visitei.
É o mínimo que posso fazer como acto de justiça e gratidão a um companheiro de jornada como foi Giovanni Papini.
Dele restam, na Biblioteca do Gato, 5 títulos, em português, agradecendo também à única editora que o tornou acessível em Portugal: a Livros do Brasil.
1. Giovanni Papini – Um Homem Liquidado – Livros do Brasil, Lisboa, s/d *****
2. Giovanni Papini – Gog – Livros do Brasil, Lisboa, s/d *****
3. Giovanni Papini – O Livro Negro – Livros do Brasil, Lisboa, s/d
4. Giovanni Papini – Cartas aos Homens do Papa Celestino VI – Livros do Brasil, Lisboa, s/d
5. Giovanni Papini – O Diabo – Livros do Brasil, Lisboa, s/d
link para o meu companheiro de asilo antonin artaud
Por ser o texto mais antigo e, ao mesmo tempo, o mais curto, é o que transcrevo hoje, remetendo para o meu porta-arquivos do yahoo os restantes files relacionados
Porto, 1959
# Leituras: «Origem da Tragédia» e «O Teatro e o Seu Duplo»
# Intuições AC *****
# Forum dos Aflitos ( voz do Actor)
# Para Ficcões AC
# Teatro de la Basoche (vd artigo Dezembro 1959)
Pelo trágico passam apenas linhas rectas, que são a mais curta distância entre dois pontos.
O trágico (poesia em acção) é a metamorfose do humano para o transumano, do físico para o metafísico, do natural para o sobrenatural, ponte entre o consciente e o inconsciente, o sacro e o profano, a vida e a morte.
O trágico é a voz de [diz] quando já não há palavras ou há apenas palavras.
O trágico, poesia de aproximação, entre actor e espectador, entre os espectadores, entre os idiomas, entre as antinomias, entre as distâncias da terra, entre os tempos da história, o trágico reintegra o mundo a desintegrar-se.
O trágico, primeira força mítica de um tempo sem mitos ou de mitos crus e álgidos, degenerados, prostituídos, une o coração do homem ao coração da divindade, o coração das pátrias ao coração do universo.
Em todos os pontos da terra, nas linhas de fractura e combate, linhas tortas por onde o poeta escreve direito, nas cavernas-refúgio da nova religião [???], grupos de teatro preparam, no quotidiano, a reabilitação do eterno; preparam, queimando-se, a massa ardente de uma mitogonia nova [????] fundam, reconstituindo-a nas pedras e tábuas de um palco, a primitiva «fons vitae» do homem.
*
TRISTE RETROSPECTIVA : ANTONIN ARTAUD
Trouxe ontem da feira dos alfarrabistas (Largo de S. Carlos) mais um exemplar da edição de «O Teatro e o Seu Duplo», com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues, edição Minotauro, infelizmente sem data.
Significa que guardo poucos títulos de um autor de que cheguei a ter as obras completas, creio que da Gallimard. Tristezas das retrospectivas.
São apenas três os títulos que a Biblioteca do Gato ainda guarda:
1.Antonin Artaud – Van Gogh o Suicida da Sociedade – Hiena Editora – Trad. de Aníbal Fernandes
2.Antonin Artaud – Em Plena Noite ou o Bluff Surrealista
3. Antonin Artaud – O Teatro e o Seu Duplo – Trad. de Fiama Hasse Pais Brandão – Prefácio de Urbano Tavares Rodrigues – Ed. Minotauro
Para compensar a tristeza dos poucos livros que ainda guardo, indico os files que, no meu computador, referem o nome de Artaud, incluindo um longo poema que escrevi e que vai assinalado com estrela de cinco estrelas (*****) :
<03-03-21
<61-03-24-vi *
Podem ser consultados no meu
porta-arquivos
do meu sempre fiel yahoo.
Mas o que eu quero mesmo que seja lembrado pelo meu biógrafo é o longo poema diário de antonin artaud no hospício de rodez, de que saiu um fragmento nos cadernos «alfa», Nº 1, a convite do Fernando J.B.Martinho, que ainda há semanas encontrei e que me deu o endereço de e-mail.
O nome do file diz da data em que foi escrito:
<61-03-24>
ENTRE MUITOS QUE EXISTEM NA NET, ESCOLHI ESTE SITE PARA FAZER O LINK A JORGE LUÍS BORGES
16-07-2005 18:43:18
BORGES E SERAFIM FERREIRA: LUGAR AOS AMIGOS
O nome do meu querido amigo Serafim Ferreira anda, para mim, indissoluvelmente ligado ao de Jorge Luís Borges.
Desde, pelo menos, que ele publicou, na editora Início as «Entrevistas com Jorge Luís Borges» (1967?) e na editora Presença «Jorge Luís Borges», edição da Presença (1965) apresentada, organizada e traduzida por Serafim Ferreira.
É com enorme alegria que leio hoje no jornal «Público» a notícia de que o Serafim acaba de traduzir mais um livro de Borges: «O Livro dos Seres Imaginários», ed. Teorema, 2005.
Posso imaginar o prazer que lhe deu traduzir o Borges da Zoologia Fantástica. Com o Serafim aprendi a venerar este autor que vi referido, a primeira vez, em 1960, no livro de Louis Pauwels e Jacques Bergier, «Le Matin des Magiciens».
Em homenagem a Borges e ao Serafim, vou à procura nos meus arquivos Big-Bang, dos files com referências a Borges, a Serafim Ferreira e a «Le Matins des Magiciens.»
É um trabalho selectivo que irá exigir-me contenção sinóptica: tem mesmo que ser uma selecção muito selectiva, pois são inúmeros , talvez dezenas, os files com aquelas referências: Borges, Serafim Ferreira e Planète.
Orgulho mesmo é poder anunciar aqui, neste blog dos livros da minha vida, que a Biblioteca do Gato conserva ainda treze títulos, embora dois dos nove das obras completas (ed. Emecê) estejam desaparecidos: talvez os tenha emprestado ao Serafim, mas nesse caso foi por uma boa causa e foram parar a boas mãos.
13 TÍTULOS NA BIBLIOTECA DO GATO
Georges Charbonnier – «Entrevistas com Jorge Luís Borges» - Ed. Início, Lisboa, 1967 (?) – Trad. de Serafim Ferreira
Serafim Ferreira - «Jorge Luís Borges » – Ed. Presença, Lisboa, 1965
Jorge Luis Borges - «História Universal da Infâmia» - Trad. José Bento – Ed. Assírio Alvim
Jorge Luis Borges - «Ficções» - Col. Novis, Nº 13 – Ed. Abril/Control Jornal , Lisboa, 2000
Jorge Luis Borges - «Nova Antologia Pessoal» - Ed. Difel, Lisboa, 1987
Jorge Luis Borges - «Este Ofício de Poeta» - Ed. Teorema, Lisboa, 2002
Jorge Luis Borges - «El Aleph» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «Historia Universal de la Infamia» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «Evaristo Carriego» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «Ficciones» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «Discusión » - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «Otras Inquisiciones» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957
Jorge Luis Borges - «El Acedor» - Ed. Emecê, Buenos Aires, 1957 ■
Meira da Cunha, meu ex-colega jornalista d'A Capital, deixou-me algumas dicas que vou aproveitar para continuar este diário de hóspede no hispavista.
Lembrou-me um nome que nunca esqueço e que mais uma vez tive a alegria de relembrar: Rómulo de Carvalho, que nunca esqueço e que faz parte da minha vida, não só os poemas de António Gedeão mas os livros que conservo como verdadeiras preciosidades sobre «ciência alquímica» e «embalsamamento egípcio».
O Meira da Cunha deixou-me outras dicas que devo sublinhar:
1. Um nome para mim desconhecido: Ken Wilbert, autor de «Breve História de Tudo»
2. Um seu grande amigo belga, octogenário, Max Wintzinze, que já veio a Lisboa fazer uma conferência no Grémio Literário em que falou de Etienne Guillé e da radiestesia.
3. O Fedro, de Platão, falaria das nove almas!...Vou já averiguar e colocar Platão (o que dele me resta) nesta lista de livros da minha vida
Aos 72 anos quero rememorar antigas leituras e não andar à descoberta de novas. Mas também não quero fechar-me a novas sugestões, quando elas vierem de alguém que me merece estima e consideração.
Prometo inserir o Ken Wilbert - que o Meira vivamente me aconselhou - na minha lista de espera.
«O BEM É AQUILO QUE DÁ MAIOR REALIDADE AOS SERES E ÀS COISAS; O MAL É AQUILO QUE DISSO OS PRIVA.»
SIMONE WEIL, FILÓSOFA FRANCESA (1909-1943)
Hoje é a minha homenagem, via hispavista, a Simone Weil, com 3 files que coloquei no meu porta-arquivos do Yahoo.
O pouco que escrevi e publiquei sobre Simone Weil está no meu
site
«O gato das Letras»
Restam-me dois livros na minha biblioteca do gato, que irei colocar em weil-1-bg do já referido porta-arquivos yahoo:
1. Simone Weil - L'Enracinement - Idées - NRF- Ed. Gallimard, 1949
2. Simone Weil - Opressão e Liberdade - Ed. Moraes, Lisboa, 1964
O meu obrigado a todos, incluindo os que lerem esta mensagem de gratidão e solidariedade.
A verdade e sem lamentos é que Simone Weil continua esquecida e há que fazer também um link para a net, a saber o que há sobre ela, incluindo uma foto.
lulio-livros-tese–leituras
UM GÉNIO DA ALQUIMIA EUROPEIA
RAMON LULL E O LULISMO EM PORTUGAL
FICHA ENCICLOPÉDICA
RAMON LULL 1( Enciclopédia Verbo) - Missionário e pensador catalão ( Palma de Maiorca, entre 1232 e 1235).
Depois de levar vida mundana, abandonando mulher e filhos, entregou-se ao apostolado.
Desde então a sua vida é um contínuo peregrinar por Barcelona, Montpellier, corte papal, Paris, Génova, Norte de África, Chipre e Palestina, sempre com o mesmo objectivo de dar a conhecer a sua «Ars Magna» e de a pôr ao serviço da conversão de infiéis, em especial judeus e muçulmanos.
Para o fim da vida, o missionário dá lugar ao apologista que fez frente ao crescente averroísmo da Sorbonne.
No meio da sua vida agitada, pôde compor uns 256 livros ( com 27 mil páginas) que reflectem todos os aspectos do saber.
Lull escreveu em árabe, mais frequentemente, em catalão, fazendo com que logo os seus escritos fossem traduzidos para latim.
Se bem que o pensamento de Lull se não exaura com a «Ars Magna», esta obra é a que lhe mereceu maior fama.
Está-lhe subjacente o ideal missionário.
Lull parte da convicção da unidade da verdade , e daí vai à busca de um método para demonstrar as verdades da fé aos infiéis por meio das chamadas «razões necessárias».
Para isso põe em Deus uma série de princípios ou atributos essenciais, como a bondade, a grandeza, a eternidade, o poder, a sabedoria, etc., esforçando-se por relacioná-los com a sua semelhança nas criaturas.
Surge assim uma lógica comparativa, não formal mas material e, por assim dizer, ontológica, na qual o movimento dos conceitos segue o movimento da realidade.
Para facilitar o seu uso, Lull recorre a um sistema de letras, números e figuras geométricas que converte a sua arte num antepassado da lógica simbólica.
Certamente reside aqui - neste esforço para sistematizar e unificar o saber - a raiz da sedução que o pensamento de Lull exerceu na história.
Por isto tudo, Lull foi acusado de racionalismo e a sua doutrina condenada por Gregório XI, em 1376 (se bem que, posteriormente, Martinho V declarasse a bula papal sub-reptícia e nula).
Hoje é bem claro que as razões necessárias de Lull não passam de razões de congruência e que de, modo geral, o seu pensamento se situa no horizonte pré-tomista de Stº Anselmo e dos Victorinos, com o seu optimismo racional, mas também com uma visão agustiniana das relações entre a razão e a fé.
Sublinhe-se que a «Arte» de Lull é, ao mesmo tempo, procedimento lógico e método de contemplação.
Em Lull, o lógico e o polemista andam juntos com o místico.
À inteligência compete abrir o caminho para Deus, logo se retirando para deixar caminho livre ao amor .
O termo da filosofia é a porta para a mística.
RAMON LULL – 2 - Famoso filósofo medieval, poeta, teólogo e missionário maiorquino, chamado Doctor Iluminatissimus, Raimundo Lull foi o primeiro apóstolo do mundo muçulmano , numa época em que o islamismo era ele mesmo fortemente missionário, espalhando-se pelo arquipélago malaio e pela Índia, Geórgia, Egipto e entre os Mongóis , considerando crime de morte a apostasia dos seus.
Nasceu em Palma de Maiorca, circa 1235, de uma família nobre catalã ali estabelecida com extensas terras, desde a reconquista aos árabes.
O jovem Raimundo, casado cedo e trasladado ao continente, onde foi feito senescal na corte de Jaime II, experimentou as agitações de uma aventurosa e dissipada existência; mas em Julho de 1266, à volta dos trinta anos, renunciou subitamente à poesia erótica que cultivava e que o faz ser considerado o fundador da escola catalã de poesia, e à vida mundana que levava, desfez-se da maior parte dos seus cabedais, ficando com o indispensável para sua manutenção e de sua mulher e filhos e entregou-se, não a uma vida contemplativa, que a sua alma ardente e entranhadamente imaginosa não poderia levar, mas à meditação e ao estudo, no desejo de aplicar as suas faculdades na extensão do cristianismo.
Tem-se dito que tomou o hábito franciscano, outros pensam que foi irmão terceiro dessa ordem, mas nada está claramente comprovado a esse respeito, como em tantos outros particulares da sua vida.
O seu grande inimigo, inquisidor de Aragão Nicolau Aymerich, que forjou a célebre bula de S. Gregório para o perder, considera--o um comerciante herege, e denuncia quinhentas proposições suas como heterodoxas.
Em contacto com os sarracenos vizinhos e com os vestígios que eles haveriam deixado nas Baleares, deixou Lúlio medrar em seu espírito o fervoroso desejo de converter os muçulmanos com uma nova cruzada.
Mas esta cruzada, em seu desejo, não era da cruz no punho das espadas mas de uma cruz ideal , de pregação inteligente e perseverante, de lógica e de paciência.
Em vão procurou interessar papas e cardeais e até reis, no seu sonhado empreendimento.
Desacompanhado de todo o auxílio, viajou por fim para Tunes.
Tinha então 56 anos e era esse o ano em que chegava à Europa Ocidental a confrangedora notícia da queda de Acre e do fim do estado cristão da Palestina.
Antes deste decisivo sucesso da sua vida, peregrinara a Santiago de Compostela, cursara e escola de Montpellier, depois dos estudos particulares em Palma e a uma solidão completa se votara por algum tempo, preparando-se para a sua cruzada.
Para conhecer o árabe, comprara um escravo sarraceno com quem estudou durante anos, e que por fim atentou contra a vida do amo.
Dotado de imaginação ardente, quis inventar um método novo de lógica, uma espécie de mecânica filosófica, com o auxílio da qual todos podiam dissertar com subtileza sobre qualquer matéria.
Ele mesmo veio a dar solução a quatro mil problemas postos, por meio do seu método, chamado « Ars Generalis Sive Magna», porventura a sua obra mais divulgada.
Como os árabes tinham tido o primado da ciência e da filosofia mediterrânicas, ele entendia que era com um cristianismo racional que poderia conquistá-los.
Estudou Averrois para o combater, sempre com um alvo missionário.
A chamada «doutrina lulliana», tendente a demonstrar pelo raciocínio a verdade dos dogmas cristãos, veio a ser renovada trezentos anos depois por Giordano Bruno.
Foi por meio de incríveis esforços que Lúlio conseguiu difundir na Europa a sua doutrina da fé provada, e se é certo que veio a ser publicamente ensinada em 1298, graças ao patrocínio de Jaime II e Filipe o Belo, contudo não foi apreciada devidamente durante três séculos.
As vistas do filósofo estavam demasiadamente acima do tempo em que viveu e não poderia provocar mais do que uma vã e fútil admiração.
Em Tunes conseguiu convencer alguns islamitas reputados e muitos outros do povo, que receberam o baptismo cristão; mas um zeloso imame aconselhou às autoridades o seu encarceramento e morte, em razão do perigo que ele representava.
Depois de algum tempo, foi-lhe comutada a pena de morte na de banimento.
Não lhe sofreu o ânimo os seus conversos, e voltou de novo a Tunes, mas a 30-6-1315, em Bugia, na Argélia, morreu apedrejado.
Figura desconcertante, assim o consideram alguns críticos, e assim serão forçados a considerá-lo os leitores das numerosas biografias e críticas que lhe têm sido feitas.
Auxiliarão, contudo, no dédalo das considerações a fazer, estes dois factos: que são considerados espúrios, com forte motivo, os trabalhos de alquimia e de cabala que lhe foram atribuídos e estão coleccionados com as suas obras; e que as ideias de Pedro Venerabilis (morto em 1157), advogadas por Lúlio e adoptadas pela primeira vez por ele na missão prática, o levaram e especializar-se não só na língua como no pensamento árabe, o que não se poderia dar sem alguma influência verificada desse pensamento na sua obra.
«Charlatão vádio» lhe chamou Bacon com extremo rigor e injustiça.
Mesmo que haja juntado as ciências ocultas, a cabala, a magia, a alquimia aos seus estudos sérios, ainda se poderá perguntar a que título e como as estudou.
A Igreja de Roma tem oscilado entre condená-lo como heterodoxo e honrá-lo como mártir , não podendo desdenhar o testemunho, que a história lhe dá, de precursor das missões modernas.
O Dr. Joaquim de Carvalho reconhece uma rápida influência de Lúlio no « Leal Conselheiro» de D. Duarte.
O escultor catalão João Samsó erigiu-lhe uma estátua cheia de nobreza e as suas cinzas, recolhidas em Bugia e transportadas, repousam num sarcófago historiado na sua cidade natal.
As suas obras foram publicadas em Mogúncia, em dez volumes, de 1722 a 42.
Por meio da alquimia, Lúlio preparou, pela primeira vez, o álcool anidro, o carbonato de potássio a partir do creme de tártaro, descreveu a água régia, etc.
LULISMO - É assim designado, não tanto o projecto de Raimundo Lull relativo a uma ciência universal - que interessou pensadores da craveira de Nicolau de Cusa, Pico, Bruno, Descartes, Bacon, Gassendi e Leibniz - mas o germe de uma «escola» que , logo após a morte de Raimundo Lull, lançou raízes em Valência, Barcelona e Maiorca, de onde irradiou para Castela, Portugal e Itália.
Pedro Dagui é a figura central deste Lulismo catalão pré-renascentista.
Simultaneamente surge em Paris, em redor do fundo ms. legado por Lull à Cartuxa de Vauvert e dirigido por T. Le Myésier, um pequeno núcleo lulista.
Com este se virá a relacionar, provavelmente através do flamengo H. de Campo, o Lulismo de Nicolau de Cusa.
Em pleno renascimento, Lefèbvre d´Étape dá nova vida, em Paris, ao Lulismo de carácter religioso e místico, ao passo que na Alemanha, A. de Nettesheim e Paracelso cultivam o Lulismo, respectivamente, lógico-enciclopédico e médico-alquimista.
Na confluência deste Lulismo europeu renascentista surge o Lulismo de Giordano Bruno e, posteriormente, o do humanista protestante alemão J.E. Alsted.
Entretanto, em Espanha, sob a protecção de Cisneros e Filipe II, a escola lulista tinha-se difundido com fortes raízes.
Surgem cátedras lulistas em várias universidades, principalmente em Maiorca.
N. de Pachs, J. L. Vileta e F. Marzal são os mestres mais influentes na época. À margem da actividade escolar, o Lulismo influi em figuras que rodeiam Filipe II, como P. de Guevara e J. de Herrera.
No século XVII, os jesuítas S. Izquierdo e A. Kirchner reelaboram um Lulismo em sentido enciclopédico.
Em ambos se inspirará a «Dissertatio Art Combinatória» de Leibnitz.
Ainda no século XVIII se encontram duas notáveis aflorações de Lulismo, uma em Mogúncia, graças a J. Salsinger, autor de uma edição monumental das obras de Lull, e outra em Maiorca, com figuras como o jesuíta J. Costurer e, sobretudo, o cistercience A. R. Pascual.
A par do Lulismo autêntico, encontra-se um Lulismo espúrio, centrado no «Testamentum» e noutros escritos pseudo-lulianos de alquimia, e até uma corrente antilulista, cujos primeiros e principais representantes são, na Catalunha, o inquisidor N. Eymerich, e , em Paris, o chanceler Gerson. Desde o fim do século XIX renasceu, em Espanha e fora dela, o estudo de Raimundo Lull, mas agora ao nível da história, sem pretender construir uma corrente de pensamento.
LULISMO EM PORTUGAL - Foi persistente a influência do Lulismo em Portugal, atingindo mesmo certa irradiação (séculos XV-XVI), desenvolvendo-se a produção literária, de valor desigual, em três direcções ou tendências (seguindo a classificação proposta por Carreras Artau):
A) Polémico-racionalista, de que ficaram numerosos testemunhos da disputa religiosa de cristãos contra judeus e muçulmanos, sendo obra capital o «Livro da Corte Enperial» (século XV), tendo Lúlio servido não só de inspiração quanto à temática e finalidade apologética como ainda no directo aproveitamento textual( Cruz Pontes).
B) Lógico-enciclopedista, atestada por vastas compilações, em códices medievais pertencentes às bibliotecas monásticas de Sta Cruz de Coimbra e de Sta Maria de Alcobaça.
Denotando persistência de preocupações lulianas até ao século seguinte, ficou-nos o incunábulo gótico «Ars inventiva veritatis cum Commento»(Valência,1555).
Em 1431, documenta-se a presença em Lisboa de um Mestre Adrião, que ensinava porventura em escola privada, a arte luliana: e será a esses sequazes de Lúlio que D. Duarte, no «Leal Conselheiro» alude, censurando neles a intenção demonstrativa nas matérias do Dogma, pela sua racionalização, muito embora, no domínio da Moral, o monarca cite como autoridade e aceite, em vários passos da obra, teses lulistas.
Registam-se ainda influências lulistas, mais ou menos esparsas, em outra obras da época, como a «Virtuosa Bemfeitoria» e o « Bosque Deleitoso».
C) Mística,feição que tem levado a atribuir papel relevante à formação da mundividência colectiva portuguesa, e que explica, senão contribuiu, para originar a Expansão.
Segundo um dos mais destacados defensores desta tese, Jaime Cortesão, os franciscanos teriam sido «os principais criadores da mística dos descobrimentos» e, por sua vez , como intérprete dos ideis seráficos, Lull é considerado « o tipo porventura mais perfeito do tipo de proselitismo franciscano».
Com efeito, o Maiorquino defendeu o apostolado missionário com vista à conversão dos gentios, e daí a apologia do estudo das línguas orientais, sobretudo do árabe, a conquista dos estados muçulmanos desde Ceuta até ao Levante , chegando a sugerir, segundo Beazley, o plano, de circum-navegar a África para alcançar a Índia.
Sob este aspecto, as preocupações da época pela cartografia, astrologia, astronomia e náutica levavam a descobrir novos motivos de interesse no «opus»luliano, ou em escritos apócrifos (pseudo-lulismo)de carácter esotérico e cabalístico.
No Renascimento, o Lulismo traduz-se na terminologia e na feição de teologia racionalizante de algumas obras portuguesas, denotando por vezes a nova ambiência pré-reformista, como no caso de Gil Vicente( A.J. Saraiva)ou, com matizes humanistas, na «Ropica Pnefma» de João de Barros.
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Actualidade de Ramon Lull
A VIDA DE UMA VIDA
Nascido provavelmente em 1232 e provavelmente falecido em 1315, foram, pelo menos, 83 anos de energia invencível, que não deixaram de aborrecer solenemente as autoridades inquisitoriais da época e continuam perturbando os vindouros. A própria Igreja, que o classificou de Doutor Iluminado, em devido tempo e latim, e lhe deu um dia no calendário cristão - 28 de Março - não soube ainda muito bem como digerir este santo e mártir/, que dominou, com a ajuda de Deus ou do Demónio, a ciência da época, criou quase ex-nihilo a língua literária catalã, deixou rastro premonitório nas terras do levante islâmico, foi delapidado por muçulmanos, tentou o primeiro «aggiornamento» entre árabes e cristãos, e permanece ainda hoje tão actual, tão enigmático e tão inviolável a biógrafos como o foi sempre.
Quando se julgava que toda a Europa dormia o sono dos justos, na letargia da passividade, encontrava-se em ebulição este vulcão chamado Ramón Lull e que ainda hoje não está extinto. O tempo «apagado» de obscurantismo católico, que foi a contemporaneidade de Llull, torna-o ainda mais luminoso.
Actualidade de uma vida
Como quem já previa a crise mundial do momento, o livro(*) sobre o cavaleiro e eremita maiorquino é exemplar de oportunidade: o mesmo homem que pregou a vocação universalista do cristianismo e a cruzada para a reconquista das terras santas, o que fez missão de converter os infiéis, ficou - paradoxalmente? - na história como o grande divulgador da cultura muçulmana e introdutor dos estudos árabes no Ocidente. Para isso ele aprendeu a língua árabe, ao que consta com um seu criado desta nacionalidade. Como acentua a autora, «esta é apenas uma das ironias do seu destino paradoxal».
A não luxuosa mas preciosa edição, lançada pela Dom Quixote, vem enriquecida pela tradução da «Vida Coetânea», um dos raros indícios biográficos que existem sobre o Doutor Iluminado. Em 1913, Ramón Lull conta a sua vida, presumivelmente aos amigos da Cartuxa de Vauvert, narrativa que mão anónima redigiu, provavelmente a dele próprio. Uma tábua sincrónica ajuda a balizar, com nomes e datas, a vida sem balizas de Ramón.
O livro de Luísa Costa Gomes é também um incitamento ao estudo do «sistema lulliano», que, sob a designação de «lullismo», conseguiu provocar uma polémica ainda hoje em aberto: por mais longe que se vá no desvendar da personalidade deste enigmático senhor - e poucos terão ido tão longe na ousadia de a «imaginar», como o faz Luísa Costa Gomes - muitos são os escaninhos e meandros que permanecem indecifráveis. Não só pelo número impressionante de obras que deixou, - alguns apontam para quatrocentos títulos - não só pela vastidão de matérias e ciências que abrangeu, mas pelo carácter paradoxal que domina o seu itinerário de «extraterrestre» e «mutante» antes do tempo. Algumas facetas deste homem ficariam sempre por averiguar: em «Vida de Ramón», parece ter sido a personalidade do alquimista, negada posteriormente pela Inquisição, aquela que a autora também preferiu não enfatizar. Mas, curiosamente, era no domínio do «oculto» que o processo seguido por esta biografia «imaginada» poderia operar com maior legitimidade. Não estranhemos, aliás, que ela ou alguém volte a pegar em Ramón, para reimaginar algumas das várias vidas e personalidades que nele parece terem coexistido e que nunca ficarão suficientemente tratadas, por mais que exaustivamente alguém as trate.
Também nesse aspecto, esta é uma «biografia aberta», o primeiro passo de um caminho, o primeiro avanço numa pesquisa, numa estrada que conduz ao infinito. Mérito de Luísa Costa Gomes é ter visto que ao agarrar Ramón era a ponta da meada que agarrava.